24 de outubro de 2011

GALÁPAGOS E SUA EXUBERÂNCIA NATURAL

O único problema de visitar o arquipélago de Galápagos (ou arquipélogo de Colombo) é que na volta sempre acham que você está exagerando ao falar de fauna, flora e relevo tão peculiares. Ficam te olhando com uma cara de dúvida, revelando a dificuldade de engolir relatos de pinguins sob sol escaldante, tartarugas gigantes de 300 quilos ou iguanas não menos monstruosas fazendo pose sobre a rocha vulcânica. O conjunto possui 13 ilhas principais, a 960 km da costa do Equador.


As ilhas apareceram pela primeira vez em dois mapas do século XVI, um desenhado por Mercator (1569) e o outro por Abraham Ortelius (1570), chamadas de "Ilhas das Tartarugas" (Insulae de los Galopegos). Em seus quatro anos de isolamento na ilha de Juan Fernandez, fora da costa chilena, Alexander Selkirk (o protótipo de Robinson Crusoe), visitou as ilhas Galápagos por volta de 1709, com o capitão Woodes Rogers. Já o primeiro morador de Galápagos foi um irlandês chamado Patrick Watkins, abandonado por lá em 1807, ele passou dois anos plantando vegetais e trocava-os por rum com os visitantes. Em 1809, Watkins roubou um barco e fugiu para Guayaquil.

Galápagos foi oficialmente anexada ao Equador em 1832 e foi nomeada "Archipiélago del Ecuador". Entretanto, parece que seu nome oficial é Arquipélago de Cólon.

Formado por erupções há 5 milhões de anos no meio do oceano Pacífico, o arquipélago nunca foi conectado a nenhum continente. Os seres que alcançaram esse fim de mundo desenvolveram características próprias: 90% das espécies de répteis são exclusivas de lá, bem como metade das 58 espécies de pássaros. O próprio nome Galápagos veio de uma espécie endêmica: as tartarugas tamanho-família (15 mil delas), que podem ser vistas andando sem pressa nas ilhas Santa Cruz, San Cristóbal e Isabela.

De tão especial, o lugar se transformou no laboratório da teoria darwiniana da evolução das espécies. O naturalista inglês Charles Robert Darwin (1809-1882) passou cinco semanas no arquipélago observando e anotando tudo o que via. A estada foi uma das escalas da jornada marítima de cinco anos ao redor do planeta. A análise que fez sobre o ecossistema rendeu boas páginas ao clássico "Viagem de um Naturalista ao Redor do Mundo" (1835).

Reconhecido como santuário ecológico desde 1934, Galápagos conserva lugares onde a vida selvagem explode sem se importar com a presença humana.

Na ilha Genovesa, uma das poucas que fica ao norte da linha do Equador, milhares de pássaros entopem o céu da baía em forma de ferradura.

O clima amistoso entre homens e animais permite que o banhista nade com as focas na ilha Santiago. No límpido oceano, não há como reclamar da solidão: sempre existe companhia, ora de tubarões, ora de raias, ora de numerosos cardumes coloridos e estrelas-do-mar. Isso quando não aparecem todos juntos. Em terra firme, o mirante da ilha Bartolomé desvenda uma paisagem vulcânica incrível, o visual mais fotografado de Galápagos.

Dos 59 pontos abertos para visitação, 35 são mais usados graças à facilidade de navegação. A melhor forma de conhecê-los são os cruzeiros que passeiam entre as ilhas. O navio M/N Santa Cruz é um dos mais recomendáveis. Com ar-condicionado central, cabines confortáveis e refeições requintadas, a embarcação dispõe de pangas (pequenos barcos a motor) que levam os turistas aos pontos de mergulho. Há ainda um pequeno barco com fundo de vidro para quem quer observar as profundezas sem se molhar.

Do barco, do solo ou da água, esteja preparado para o baque. É bem provável que, mesmo estando lá, você demore um pouco para acreditar no que os seus olhos estão vendo.


Reportagem adpatada: http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/noticias/ult338u2815.shtml

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