14 de março de 2016

PAÍS BASCO: DUAS NAÇÕES, UMA SÓ UNIDADE


Definir o País Basco não é tarefa fácil. Uma região histórico-cultural que se estende do golfo de Biscaia aos Pirineus e se divide em sete províncias, sendo quatro ao norte da Espanha e três no sudoeste da França. Na Espanha reúnem-se a Comunidade Autônoma do País Basco - com as províncias de Viscaya (Bilbao), Álava (Vitoria) e Guipúzcoa (San Sebastián) - e a comunidade de foral de Navarra, onde está Pamplona. Integram o chamado País Basco do Sul as duas comunidades espanholas. A porção francesa é chamada País Basco do Norte, com as províncias de Labourd, Basse Navarre e Soule.

A segunda região mais industrializada da Espanha, depois somente da Catalunha, o País Basco foi fundado em 1959 em oposição a Francisco Franco, caracteriza-se por sua luta separatista desde o final do século XIX.

Uma definição mais atraente resumiria o País Basco como lugar onde Santiago Calatrava, Frank Gehry e Jeff Koons se encontram para uma farra enogastronômica ou onde a história remonta a Luis XIV, episódios da Guerra de Independência, como as investidas de Napoleão Bonaparte, as marcas da luta separatista e cidades por onde passam peregrinos rumo a Santiago de Compostela, alguns famosos, como Paulo Coelho.

A cultura popular dos pintxos é a base para a fama da gastronomia basca, hoje uma referência na Europa e no mundo, que se sofisticou a ponto de ostentar uma concentração de chefs estrelados em San Sebastián. A bela cidade ás margens do Cantábrico, que anualmente recebe estrelas para o festival internacional de cinema e, neste ano, ainda divide o título de capital cultural da Europa com a cidade polonesa Wroclaw.

Bilbao faz as honras com o aeroporto onde linhas inconfundíveis de Santiago Calatrava dão as boas vindas ao visitante. É só um prenúncio do que está por vir. A poucos minutos dali, o museu Guggenheim, de Frack Gehry, transformou a paisagem da cidade desde sua inauguração em 1997. O investimento em infra-estrutura turística se estendeu aos vinhedos de La Rioja, onde Gehry e Calatrava embelezam as vinícolas do vale do rio Oja com hotéis e instalações para receber visitantes.

ÁREA FRANCESA: REFERÊNCIA A REALEZA, PIMENTAS E PEREGRINOS

As três províncias do País Basco francês compreendem 40 municípios, entre eles Bayonne, St-Jean-de-Luz, Biarritz, Espelette e St-Jean-Piede-Port. Porto pesqueiro desde a pré-história, St-Jean-de-Luz, em Labourd, foi nessa graciosa cidade, quando França e Espanha selaram a paz, que um dos pontos do Tratado dos Pirineus foi cumprido: o casamento de Luis XIV com Maria Teresa da filha do rei da Espanha, em 8 maio de 1660, na Igreja de São João Batista, que tem um belo interior adornado em madeira. A casa de Louis XIV também está lá. Com um centro de talassoterapia, a cidade atrai muitos visitantes durante o verão.

Também merece uma visita a pequena Espelette, que vive em torno do cultivo e da produção de pimenta vermelha de mesmo nome. O condimento que acomponha carnes vermelhas ganhou status de DOC (Dominação de Origem Controlada). E seu centro, com todas a casa pintadas de vermelho e branco e enfeitadas com arranjos de pimenta que secam ao tempo, dá cor e sabor especiais ás fotos do álbum de viagem.

Na Província de Basse Navarre (Baixa Navarra), aos pés dos Pirineus, St-Jean-Pied-de-Port é um dos pontos mais conhecidos na Rota de Santiago de Compostela. Marca o início do caminho para quem vem da França. Reconhecida pelo patrimônio da humanidade pela Unesco, a portade St.Jacques é um dos pontos da rota dos peregrinos.

Texto de Cristina Massari, da Agência O Globo.

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