24 de fevereiro de 2014

POR UM BELO HORIZONTE


Aos pés da Serra do Curral e a 850 metros acima do nível do mar, Belo Horizonte vai ganhar pela primeira vez proteção para mirantes que inspiram o seu nome e tiram fôlego de moradores e visitantes: a vista paronâmica. Está em gestação na Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano (Smapu) a proposta para criação de áreas de diretrizes especiais (ADEs) Mirantes, que, por suas características específicas, demandariam regras diferentes do restante da capital mineira. Foram identificadas 16 áreas que passariam a ter restrições de construção para garantir a preservação da paisagem.

A proposta será apresentada em março na 4° Conferência Municipal de Política Urbana, quando representantes da comunidade, técnicos e setor empresarial discutirão alterações em duas ou mais legislações da cidade, o Plano Diretor e a Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo.

A equipe técnica da secretaria mapeou pontos de onde, apesar do crescimento urbano, ainda é possível contemplar uma vista panorâmica. Com a implantação das ADEs Mirantes, a ideia é restringir construções, além de limitar a altura das edificações do entorno. “Em alguns locais, temos uma vista em 360 graus da cidade. A orientação é garantir essa paisagem”, ressalta a gerente de informação e monitoramento da Smapu, Gisella Lobato.

As ADEs incluem mirantes oficiais, como os do Mangabeiras e do Parque da Serra do Curral, além de outros pontos em áreas de preservação ambiental, como a Mata da Baleia. Também fazem parte dessa lista mirantes informais em locais sem qualquer infraestrutura, como a caixa-d’água da Copasa, no bairro Belvedere, na região Centro-Sul, e até em terrenos particulares, restritos a poucos admiradores e com potencial jogado ás nuvens.

Os detalhes para garantir a proteção serão discutidos com os 243 delegados dos três setores eleitos neste mês de fevereiro. A apresentação das propostas da prefeitura de BH será feita em março, durante a etapa de capacitação dos delegados. A conferência termina em maio, com o fechamento das propostas de mudança nas leis, que seguem para aprovação na Câmara Municipal.

TOMBAMENTO

O professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Leonardo Castriota, relata que desde os anos de 1930 as cidades brasileiras usam o tombamento como forma de proteger a paisagem. É o caso da Igreja da Penha, no Rio de Janeiro. “BH tem de tirar partida de sua topografia íngreme. A paisagem está relacionada com o desfrute estético, mas também com a questão ambiental, da circulação de ar e preservação do microclima”, diz.

Para Castriota, BH já perdeu parte de seu potencial cênico. “Existiu uma proposta no passado para proibir construções a partir da cota de 1000 metros de altitude, como forma de preservar a vista da Serra do Curral, mas não foi para frente. Muitas avenidas de topo de morro foram completamente tomadas por prédios. A construção dos prédios no Belvedere interferiu na paisagem e barrou parte dos ventos”, ressalta o professor.

No Belvedere, o ponto indicado à proteção é próximo á caixa-d’água da Copasa, na Avenida Celso Porfírio Machado. Ao alcançar o topo, o observador se encontra num morro de minério e cerrado, em meio as mansões. Dali se avista bem de perto a cava da mineração Lagoa Seca e os arranha-céus de Nova Lima. A diversão é tentar identificar os pontos de referência da cidade, como o Mineirão e a Avenida Afonso Pena.

VEJA UM TRECHO DO MIRANTE DO PARQUE DAS MANGABEIRAS


Fonte: Estado de Minas.

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