19 de abril de 2012

OURO PRETO: BERÇO DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA


Ao mesmo tempo que tem debaixo dos olhos obras de gênios do barroco, como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (c.1738-1814), e Manuel da Costa Athayde (1762 -1830), prédios e a praça que remetem ao ciclo da mineração e à Inconfidência, o turista é levado a observar um cenário de destruição e desmazelo.

Igrejas levantadas nos séculos XVIII e IX hoje estão repletas de infiltrações no teto e nas paredes e devastadas pela ação de cupins; ruínas de um casarão do século XVIII (que veio abaixo após um incêndio em 2003) permanecem cobertas por tapumes. Como se isso não bastasse, é constante o tremor causado pelos ônibus que passam diariamente em terreno histórico.

Para o bem e para o mal, a cidade ainda brilha. Ao visitar o lugar reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade, o melhor ponto de partida é a praça Tiradentes, onde numa ponta fica o Museu da Inconfidência e na outra o Museu de Mineralogia da Escola de Minas, e daí seguir para os templos barrocos.

De um lado da praça Tiradentes, fica a matriz Antônio Dias; do outro, a do Pilar. As famosas igrejas, como a da Ordem Terceira de São Francisco de Assis e a Nossa Senhora do Carmo, se submetem a essas duas importantes paróquias. É interessante ver que até hoje os moradores deixam claro a qual freguesia pertencem.

Isso é resquício dos tempos do ouro, quando a antiga Vila Rica tinha dois arraiais, Ouro Preto de um lado, com a matriz do Pilar, também chamada de Fundo de Ouro Preto, e Antônio Dias do outro, com a igreja Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, ambas no comando.

Com duas matrizes, quando há procissão ali, ela parte da de Antônio Dias rumo à do Pilar, cruzando a praça Tiradentes, ou vice-versa. As igrejas têm aspectos afins. Antônio Dias, que começou a ser erguida em 1727, tem oito altares laterais e abriga o Museu de Aleijadinho. Do outro lado, a do Pilar, de 1731, tem seis retábulos, púlpitos e muito ouro. Desde 2000, o Museu de Arte Sacra de Ouro Preto fica lá.

Pertencente à freguesia de Antônio Dias, a igreja São Francisco de Assis, que começou a ser levantada em 1766, é uma das obras mais lindas de Ouro Preto. É o máximo do rococó, e o forro de mestre Athayde com anjos que marcaram o estilo deixam o pescoço dolorido. Também rococó, a Nossa Senhora do Carmo, 1766 a 1772, encanta.

Um pouco fora do circuito turístico de templos ao redor da praça Tiradentes, duas igrejas no Morro da Queimada mostram uma parte onde a arquitetura colonial mistura-se à urbanização descontrolada, a sobrados e a puxadinhos de alvenaria.

A cidade também foi o berço da Inconfidência Mineira. O grupo, liderado pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido por Tiradentes era formado pelos poetas Tomas Antonio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa, o dono de mina Inácio de Alvarenga, o padre Rolim, entre outros representantes da elite mineira.

A idéia do grupo era conquistar a liberdade definitiva e implantar o sistema de governo republicano em nosso país. Sobre a questão da escravidão, o grupo não possuía uma posição definida. Estes inconfidentes chegaram a definir até mesmo uma nova bandeira para o Brasil, ela seria composta por um triângulo vermelho num fundo branco, com a inscrição em latim : Libertas Quae Sera Tamen (Liberdade ainda que Tardia). A bandeira que seria a nacional foi adotada pelo estado de Minas Gerais, como um reconhecimento do ideário daquele grupo.

Hoje Ouro Preto é o principal destino turístico de Minas Gerais, muito por causa do seu conjunto arquitetônico barroco e também pelos diversos eventos culturais e populares que ocorrem na cidade durante todo ano.

Adaptado do site: www.folha.uol.com.br

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